Controle financeiro para delivery: taxa, motoboy e cancelamento
O resumo do aplicativo não é o caixa. Taxa, motoboy, embalagem e pedido cancelado mudam o que sobrou do delivery.
Neste guia
No delivery o aplicativo mostra um total bonito no fim do turno. Esse total é o que o cliente pagou no app, ou o que a tela resume. Não é o que caiu para o restaurante, para a cozinha de casa ou para a lanchonete. Taxa, motoboy, embalagem e pedido cancelado ficam no meio do caminho.
Não existe integração com iFood, Rappi ou 99. Nenhum resumo entra sozinho no Severino. O controle é você lançar o que o repasse pagou de verdade e o que saiu para entregar. O aplicativo continua sendo o canal de pedido. O caixa é outra conta.
O resumo do app não é entrada
A tela do aplicativo soma pedidos. O repasse chega depois, já com desconto de taxa, e às vezes junta vários dias. Lançar o total da tela como entrada do dia antecipa dinheiro e esconde a taxa. O fato que entra no caixa é o valor que caiu na conta, na data em que caiu, com uma descrição do período que ele cobre.
- Repasse recebido: entrada do líquido, no dia em que o dinheiro caiu.
- Taxa já descontada nesse líquido: não lance a taxa de novo, e escreva que o valor está líquido.
- Taxa cobrada à parte, se a sua operação paga a taxa por fora: saída no dia do pagamento.
- Pedido pago direto no Pix da casa, fora do app: entrada sua, no dia do Pix, sem esperar repasse.
Se você opera app e WhatsApp da casa ao mesmo tempo, não junte os dois no mesmo lançamento. O Pix da casa entrou inteiro. O app entra quando o repasse cai. Misturar os canais faz o dia do pedido parecer o dia do dinheiro.
Motoboy, embalagem e o que sai por pedido
Motoboy próprio, motoboy avulso ou entrega do próprio dono têm custos diferentes. O avulso cobra por corrida. O próprio recebe um acerto. A gasolina da moto da casa é saída mesmo quando não há “taxa de entrega” na nota do cliente.
- Corrida avulsa paga na hora: saída, com o turno na descrição.
- Acerto semanal do entregador: saída no dia do acerto, não um pouquinho imaginado em cada pedido.
- Embalagem: pote, lacre, sacola, guardanapo, comprados em volume. Saída no dia da compra.
- Taxa de entrega cobrada do cliente e repassada ao motoboy: entrada e saída, para não parecer lucro.
Não rateie a sacola por pedido se você não quer essa conta. Lance o pacote de embalagem quando comprar. Na hora de olhar a semana, a saída está lá, inteira, em vez de sumir dentro do “já está no preço”.
Cancelamento e pedido que voltou
Pedido cancelado antes de ir para a rua pode não ter gerado entrada nenhuma. Se você já tinha lançado o resumo da tela, precisa desfazer. Pedido que saiu, foi recusado na porta e voltou: a comida se perdeu, o motoboy pode ter sido pago, e o repasse daquele pedido não vem ou volta.
- Cancelou e nada foi pago a você: não lance entrada.
- O app estornou um valor que já tinha caído: saída no dia do estorno.
- Motoboy da corrida cancelada, se você pagou: a saída permanece.
- Insumo da marmita que voltou: se você quiser enxergar a perda, anote uma saída ou uma observação no lançamento do dia. Não vire isso em receita.
A tela do aplicativo conta pedido. O caixa conta o repasse que caiu, o motoboy que foi pago e a embalagem que saiu.
Exercício de um turno, com números fictícios
Exercício. Não é ticket de delivery nem taxa real de aplicativo.
- A tela do app mostrou 800 reais em pedidos numa noite.
- Dois dias depois caíram 640, já líquidas. A descrição diz que a taxa ficou no app.
- Motoboy avulso daquela noite: 90 reais em dinheiro.
- Pacote de embalagem comprado de manhã: 48 reais no Pix.
- Um pedido de 42 reais da tela foi cancelado e não entrou nos 640.
A entrada deste exercício é 640, no dia do repasse, não 800 na noite do pedido. Saíram 90 e 48. O que sobrou, quando o dinheiro caiu, é 640 menos 138, ou 502, e esse 502 não estava disponível na noite em que a cozinha trabalhou. Quem lança 800 na noite e paga fornecedor no dia seguinte usa um saldo que o app ainda não repassou. O cancelamento de 42 nem precisou de estorno, porque nunca tinha sido lançado como entrada.
A semana inteira, não a noite isolada
Uma noite cheia pode terminar com a cozinha no prejuízo se o repasse cai só na terça e o fornecedor quer pagamento na segunda. Olhe a semana como sequência: compras de insumo, noites de pedido, corridas de motoboy, e os dias em que o líquido do app de fato entrou. O saldo de domingo à noite não inclui o repasse de segunda.
Pedido próprio pelo WhatsApp da casa, pago no Pix na hora, pode ser o que segura a segunda-feira. Não misture esse Pix com o número da tela do app. São entradas em datas diferentes e com taxas diferentes. Se a casa não cobra taxa no pedido direto, o valor que entrou é o valor do Pix, e a embalagem e o motoboy continuam saindo à parte.
Gorjeta que o cliente deixa para o motoboy e você repassa no mesmo dia é saída, com o nome da corrida. Se a gorjeta ficou com o motoboy direto no aplicativo, ela não passou pela sua conta e não entra. Chuva que fez você pagar uma corrida extra no fim da noite é outra saída, mesmo que o pedido tenha o mesmo valor de sempre. Dois aplicativos na mesma noite continuam dois repasses, em dias que podem não coincidir. Não junte os dois líquidos numa linha só, senão você perde qual tela atrasou.
Como lançar sem copiar a tela inteira
Não copie pedido por pedido se o repasse vem fechado. Uma mensagem no dia em que o dinheiro cai: “repasse do app, 640 líquido, noite de terça e quarta”. Outra mensagem para o motoboy e outra para a embalagem. Texto, áudio ou foto do extrato. O Severino lê, mostra o entendimento e espera você confirmar. Ele não puxa o aplicativo.
Pedido pelo WhatsApp da própria casa é entrada na hora, porque o Pix é seu. Não chame isso de repasse. Insumo da cozinha, gás e o custo do prato têm guia de marmita e de marmitaria. Delivery acrescenta a camada da taxa, do motoboy e do atraso do repasse.

Insumo e gás da marmita estão em como precificar marmita e em controle de caixa para marmitaria. Quem vende na rua, em controle de caixa para food truck. Planos em planos.
Da leitura para a rotina
Registre o que acontece sem parar o negócio.
O Severino ajuda a organizar entradas, saídas e pendências pelo WhatsApp e deixa o dono no controle das decisões.
Perguntas frequentes
O resumo do aplicativo de delivery é o meu caixa?
Não. A tela soma pedido. O caixa muda quando o repasse cai na conta e quando você paga motoboy, embalagem ou taxa por fora. Lançar o total da tela no dia do pedido antecipa um dinheiro que ainda não chegou.
O Severino integra com iFood, Rappi ou 99?
Não. Não há ligação com esses aplicativos. O repasse não entra sozinho. Você manda o valor que caiu, por texto, áudio ou foto, e confirma antes de gravar. O aplicativo continua só como canal de pedido.
Como lançar motoboy e embalagem?
Corrida avulsa é saída no dia. Acerto semanal do entregador é saída no dia do acerto. Embalagem comprada em pacote é saída na compra, sem obrigação de ratear por pedido. Taxa de entrega que o cliente pagou e você repassou precisa de entrada e de saída.
Pedido cancelado muda o controle?
Se você ainda não tinha lançado entrada, o cancelamento não gera lançamento de receita. Se o valor já tinha caído e foi estornado, registre a saída do estorno. Motoboy já pago continua como saída. Comida que voltou não vira receita.